segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Clarice Lispector é homenageada pela atriz Cate Blanchett

 Imagem: Reprodução


A atriz australiana Cate Blanchett prestou homenagem à escritora brasileira Clarice Lispector durante o Festival de Cinema de San Sebastián, na Espanha.

A estrela de produções como O Senhor dos AnéisBlue Jasmine e Tár, ao receber o Prêmio Donostia pelo conjunto de sua obra, neste sábado (21), encerrou seu discurso citando Lispector e a descreveu como uma "gênia em absoluto". Cate revelou que tem lido obras da escritora e usou uma das passagens de livro de Clarice para finalizar sua fala na premiação.

Blanchett comentou que a escritora brasileira tem sido uma inspiração e destacou uma frase de Lispector: “Tudo o que não conheço constitui a maior parte de mim: esta é a minha dádiva.”

Durante a coletiva de imprensa, Blanchett voltou a falar sobre a sua admiração pela autora de livros como A Hora da Estrela e observou que “é preciso muito esforço para ser simples”, citando mais uma vez as palavras da escritora.

Blanchett foi homenageada pela entrega de seu prêmio por grandes nomes do cinema, como o diretor Alfonso Cuarón e o ator George Clooney, que a comparou a lendas da atuação como Marlon Brando e Meryl Streep. A atriz acumula uma coleção de prêmios, incluindo dois Oscars e múltiplos Critics' Choice Awards.

Fonte: Revista Fórum

domingo, 22 de setembro de 2024

Museu Casa Alphonsus de Guimaraens, em Mariana, inaugura exposição inspirada em personagem do poeta mineiro

 Imagem: Reprodução


Desde ontem, (21), o Museu Casa Alphonsus de Guimaraens, em Mariana, exibe a exposição temporária “Olhar”, da artista Letícia Pinto. A mostra, que integra o programa Minas Criativa, da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG) e ficará aberta ao público até fevereiro de 2025, é um retorno da artista ao poema “Ismália”, de Alphonsus, que habita seu imaginário desde a infância, propondo uma reflexão sobre a introspecção e a loucura, com fotografias nas quais a personagem aparece com os olhos fechados ou sem íris.

As variações das fotografias remetem ao processo de escrita do poema, ocorrido entre 1910 e 1915. Neste período, Alphonsus de Guimaraens publicou, reescreveu várias vezes e devolveu aos jornais os seus versos, a princípio como Ofélia. A personagem reaparece em 1920 na versão final como Ismália e torna-se o centro do poema considerado a obra prima do simbolismo brasileiro. Sob curadoria da própria artista, o público poderá explorar as dimensões emocionais das muitas “Ismálias” de nossa sociedade. Letícia Pinto conta que seu trabalho “é instigado por textos, pela história da arte e pelo atrito de meu olhar sobre as insignificâncias do cotidiano, sobre a passagem do tempo nas cidades e sobre detalhes das obras em museus”.

“Em minhas colagens fotográficas, uso os recursos do ambiente digital para criar texturas e efeitos a partir da superposição de muitas camadas. Às vezes, sou surpreendida por derivações inusitadas. Prossigo agregando, desfazendo e refazendo, fundindo a imagem conforme o meu desejo de contar uma história”, acrescenta a artista.

Museu Casa Alphonsus de Guimaraens

Inaugurado em 1987, o Museu Casa Alphonsus de Guimaraens, localizado em Mariana, foi desenvolvido com o propósito de preservar e difundir a memória do escritor ouro-pretano Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), um dos principais autores simbolistas da literatura nacional. No acervo, objetos pessoais do poeta, objetos referentes à sua carreira de juiz, fotografias, sua biblioteca particular, além de documentos textuais, com destaque para os artigos publicados em periódicos e muitos outros!

Fonte:SECULT/MG




sábado, 21 de setembro de 2024

Geralda, a mulher que driblou a fome, a violência doméstica e a repressão

Imagem: Editora Relicário/Divulgação


Nos dias 20 e 21 de setembro, durante o Festival Artes Vertentes, em Minas Gerais, o livro "A porta aberta do sertão: histórias da Vó Geralda" (Relicário) será lançado trazendo à tona episódios de perseguição no campo pela ditadura militar. 

A obra relata esse episódio no sertão mineiro e toda a travessia desta forte senhora de 83 anos, mostrando o que Vó Geralda, Oscar Niemeyer e Carlos Marighella têm em comum.

A porta aberta do sertão – Histórias da Vó Geralda nasceu a partir de um processo de escuta e transcrição dos relatos da Vó Geralda, que há 10 anos recebe na Fazenda Menino os Caminhantes do Sertão, que realizam a travessia inspirada em Grande Sertão: Veredas, livro de Guimarães Rosa. Isla Nakano e Renata Ribeiro são caminhantes que se transformaram em interlocutoras de Vó Geralda e coautoras deste livro.

Como nos mostra o livro e a pesquisa intitulada "Domínios do Demasiado: a cidade projetada por Oscar Niemeyer no vale do rio Urucuia (1955-1963)", desenvolvida pela coautora do livro e historiadora Renata Ribeiro, a Fazenda Menino, região onde Vó Geralda vive desde 1968, alimentou há 57 anos um dos projetos mais ambiciosos do país, mas que foi paralisado por disputas de terra e sufocado pela ditadura militar. Trata-se da construção de Marina, cidade projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O projeto foi encomendado pelo empresário Max Hermann – dono da Fazenda Menino, financiador e ligado ao PCB –, meses antes da construção de Brasília. Hermann sonhava em construir uma cidade sustentável para 200 mil habitantes no Vale do Urucuia para homenagear a esposa, Marina Ramona.

“O povo falava que a cidade era preparação comunista, que era murada, muro fechado pra guerrilha...” (A porta aberta do sertão, p. 106).

Os blocos de habitação coletiva estariam cercados de parques, jardins e vegetação abundante, o que, segundo Niemeyer, integraria o “o seu verdadeiro objetivo, que é aproximar o homem da natureza para lhe proporcionar um ambiente natural e sadio". Na parte central dos conjuntos, estaria o "centro cívico" para a vida social: elementos de cultura, economia, trabalho e diversão. O projeto paisagístico da cidade estaria a cargo de Roberto Burle Marx.

Vó Geralda é testemunha viva da história de Marina, cidade enterrada sob o chão arenoso do sertão mineiro por diversos fatores, dentre eles a ditadura militar. Mas nem esse episódio lamentável foi capaz de tirar seus sonhos e sua alegria de viver. Como ela mesma diz, "no sertão você é livre, livre, e não tem medo".

De acordo com Maíra Nassif, editora da Relicário, a proposta de publicar o livro da Vó Geralda foi aceita e cumprida como missão. “Publicar seu livro foi o modo de me juntar às suas centenas de netos que percorrem o caminho do sertão todos os anos em busca de suas histórias", conta Maíra, para quem as memórias de Vó Geralda são não apenas individuais, mas também sociais e coletivas, e falam de um período traumático e turbulento do Brasil.

Ela cita, entre outros, a história da Fazenda Menino com o trânsito de membros do PCB na região, dentre eles Marighella (ainda que Vó Geralda não soubesse quem eles eram), a perseguição e quase morte de Vó Geralda pelas mãos dos militares no período da ditadura como fatos que, por si só, merecem projeção e conhecimento geral. 

“Mas tudo isso ganha ainda mais força, pois vem justamente através de sua voz: uma mulher sertaneja de 83 anos com o dom da palavra, que carrega uma força descomunal e o desejo de agregar”, diz.

Fontes: Revista Fórum/O Estado de Minas




quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Após 30 anos de pesquisa é lançado o Dicionário Kaiowá-Português

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A professora de História Graciela Chamorro lançou o “Dicionário Kaiowá-Português”, em Dourados no Mato Grosso do Sul. O trabalho levou 30 anos para ficar pronto e envolveu muita pesquisa e acompanhamento dos povos indígenas guarani-kaiowá da região. Junto com os alunos da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e encontros com a comunidade, a professora, que é paraguaia, foi a campo para desenvolver as pesquisas.

 O dicionário revela toda a riqueza da língua indígena e seus significados em 582 páginas e 6 mil verbetes, com a pronúncia e escrita do idioma de um dos povos mais tradicionais de Mato Grosso do Sul e do Brasil. Além disso, a obra ainda conta com ilustrações do desenhista Kaiowá Misael Concianza Jorge e a apresentação de 26 colaboradores indígenas que auxiliaram na elaboração do dicionário.

 

A importância acadêmica e cultural do dicionário indígena também colabora no combate ao preconceito contra os povos originários, conforme destaca a pesquisadora: “Hoje ainda me perguntaram se o guarani-kaiowá é um dialeto. Deixa o dialeto para lá, é uma língua. Existe um racismo linguístico, a gente quer achar que é língua, só aquelas associadas com o poder”.

Roseli Jorge, uma das colaboradoras indígenas, comentou: “o dicionário kaiowá é uma herança que as gerações mais antigas estão deixando para as gerações mais novas, sendo uma necessidade contemporânea que acompanha a introdução da escrita, da leitura, da pesquisa acadêmica nas comunidades Kaiowá.”

O dicionário Kaiowá-Português pode ser acessado gratuitamente AQUI.



Mais uma cantora brasileira indicada ao Grammy: Cátia de França

Imagem; Reprodução


A cantora paraibana Cátia de França, 77 anos, foi indicada, nesta terça-feira (17), ao Grammy Latino 2024 com o álbum “No rastro de Catarina”. O prêmio é um dos mais importantes da música internacional.

O trabalho da artista concorre ao “Melhor álbum de rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa”. A obra, gravada ao vivo em João Pessoa este ano, conta com 12 faixas e trata sobre diversos temas, entre eles, um poema escrito por ela aos 14 anos de idade e o contexto político brasileiro.

A música que dá nome ao álbum é um jogo de palavras do verso “No Raso da Catarina” da sua canção do disco “20 Palavras ao redor do Sol”(1979). Cátia agora junta-se a Chico César e Elba Ramalho como os únicos paraibanos que já concorreram ao prêmio. Em sua rede social, a cantora comemorou a sua indicação.

“Queria me caber mas não estou dando conta! Sou felicidade pura transbordando e olhando este caminho que fiz para chegar neste momento tão singular da minha carreira! Há muito para ser dito, mas é o momento de agradecer a quem construiu, tijolo a tijolo, este disco maravilhoso e que me enche de tanto orgulho”, comentou.

Fonte: MaisPB


 

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Maria do Rosário Rivelli lança em BH seu terceiro livro

Imagem: Facebook


Terceiro livro da escritora Maria do Rosário Rivelli, “Em nome da mãe” foi lançado nesta terça-feira (17), em Belo Horizonte, durante a Oficina de Escrita da OAP/UFMG, idealizada e coordenada pelo poeta Ronald Claver. Foi uma tarde untada pelo azeite da amizade, cooperação e amorosidade; uma belíssima celebração da literatura praticada nas Alterosas.
“Em nome da mãe” é um romance autobiográfico que faz um recorte temporal na vida da protagonista Zarinha, que, tendo uma mão na literatura e a outra na psicanálise, rememora, reflete e ressignifica um período importante de sua vida, que vai da infância no interior de Minas Gerais, até o início da vida adulta.

Todo o livro é permeado pelo resgate memorialístico que a autora faz de sua mãe, Maria José Quintão Rivelli, a Mariinha. Nesse sentido “Em nome da mãe” é um leque aberto por onde respiram muitas vivências: pobreza, religiosidade, inocência, valores éticos, saberes, mineiridade, família, trabalho, amor, amor...
O livro foi editado pela Tabula Rasa, ilustrado pela artista plástica Kathia Pimentel e recheado com reflexões textuais do escritor Sebastião Braga e da psicanalista Denise Rennó.

Para adquirir 31.99612-6423, direto com a autora.

Fonte: Wagner Vieira/Facebook


 

Aos 88 anos, Alaíde Costa é indicada ao Grammy 2024.

Imagem: Reprodução

Aos 88 anos, Alaíde Costa, ícone da música brasileira, foi indicada ao Grammy Latino 2024 na categoria de Melhor Canção em Língua Portuguesa por sua interpretação de "Ata-me".
A música faz parte do disco "E o tempo agora quer voar", lançado em 2024 e produzido por Emicida.
Com uma carreira que atravessa décadas, Alaíde reafirma sua relevância no cenário musical, entregando uma performance que combina sua voz única com arranjos sofisticados, cativando o público e a crítica. A indicação celebra não apenas a potência vocal de Alaíde, mas também sua capacidade de inovar e dialogar com diferentes gerações da música brasileira.

Fonte: Bossa Nova Club