sábado, 1 de fevereiro de 2020

Em silêncio, 261 crianças morreram trabalhando no Brasil

Nos últimos anos, quando o assunto é trabalho infantil, o governo federal e muitas empresas adotaram a chamada tática do avestruz: escondem a cabeça na areia e negam a realidade em volta. Em 2020, completam-se três anos que o governo brasileiro esconde dados sobre trabalho infantil. Os índices mais recentes são de 2016, divulgados em 2017. Desde então, sucessivos adiamentos na divulgação comprometem gravemente a formulação de políticas públicas. A apresentação dos dados de 2017 e 2018 havia sido marcada para junho de 2019. Depois mudou para novembro. Depois para março de 2020. Agora, ficou para junho, ou seja, um ano de atraso, caso não ocorram novos adiamentos. Em relação ao trabalho infantil, esconder informação protege violadores. Em muitos casos, são grandes empresas que se beneficiam do trabalho infantil na base de suas cadeias produtivas. Criança preta Não há nada mais sanitizante, em direitos humanos, do que a luz do sol, a transparência, a discussão pública e aberta. Mas poucos têm coragem. Há muitos interesses em jogo. Criança é mão de obra barata em importantes setores da economia brasileira. Criança preta trabalhando em algum rincão isolado do país não é algo que tire o sono de 99% dos CEOs em atividade no Brasil. Estão por demais atarantados em alcançar a cenoura que corre a frente deles, as inalcançáveis metas do trimestre. De cada dez trabalhadores infantis em atuação no Brasil, quase sete são negros. Criança preta trabalhando em algum rincão isolado do país. Poupem nossos CEOs de eventos tão irrelevantes. CEOs são machos alfa de pele branca. Estão no topo da pirâmide. No mundo dos negócios, boa parte dos violadores são grandes empresas do setor de alimentos, vestuário, fumo e construção civil. Em nome do lucro, fecham os olhos para o que ocorre em suas cadeias produtivas. A roupa que você veste, o chocolate que você come e o prédio onde você mora têm trabalho infantil na fabricação de produtos ou componentes. Como você se sentiria se soubesse que o gesso que reveste o teu imóvel foi fabricado mediante o desumano esforço de crianças e adolescentes? Provavelmente, não sentiria nada. Todos temos cenouras a perseguir. Mortes e acidentes O Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) compilou alguns dados. O que se vê é aterrador. Informações disponíveis no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram que 261 crianças e adolescentes morreram em decorrência do trabalho, entre os anos de 2007 e 2018. Foram registrados, no mesmo período, 43.777 acidentes de trabalho com crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos. Não são acidentes qualquer. Em muitos casos, envolvem amputações de membros ou traumatismos irreversíveis. Também é preciso considerar que boa parte das ocorrências não entra no sistema, pois não são lançadas como acidente ou morte decorrente de trabalho. A subnotificação é a regra. Fora do alcance dos nossos olhos, o governo ajuda a dissipar a culpa, ao esconder dados. As empresas ajudam, ao meter a cabeça na areia e anunciar que fazem de tudo pela sustentabilidade. Nós fazemos a nossa parte, ou seja, consumimos loucamente. Não somos mais cidadãos. Somos consumidores. Predadores. Publicação original de Marques Casara 20 de Janeiro de 2020 às 17:35 Página na Internet do jornal Brasil de Fato

sábado, 25 de janeiro de 2020

Novo ataque contra a cultura.

Em novo ataque à cultura e ao cinema, o governo federal quer fechar a Escola de Cinema Darcy Ribeiro. A escola está sendo despejada do prédio onde funciona, no Centro do Rio. O imóvel pertence à União e foi cedido aos Correios, mas a empresa cedeu o prédio à escola, desde 2000. De lá para cá, o prédio foi totalmente reformado (estava caindo aos pedaços), inclusive com verba da Fundação Darcy Ribeiro. Agora, com a iminente privatização dos Correios, a União mandou a escola sair, para que o prédio entre no inventário de bens dos Correios, hoje comandado pelo general Floriano Peixoto Vieira Neto. Alunos e professores prometem um Ocupa Darcy, neste sábado.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Regina Duarte e a Lei Rouanet

Foto: Divulgação
A atriz Regina Duarte, convidada por Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial da Cultura, foi condenada a pagar R$ 319,6 mil aos cofres públicos por irregularidades com a Lei Rouanet. Uma empresa de Regina Duarte, chamada A Vida É Sonho Produções Artísticas, conseguiu três financiamentos com base na Lei Rouanet, que somaram 1,4 milhão de reais. Em março de 2018, a área técnica do Ministério da Cultura reprovou a prestação de contas de um dos projetos, Coração Bazar, peça para a qual a atriz captou 321.000 reais com base na legislação. Com isso, Regina Duarte terá de restituir 319,6 mil reais ao Fundo Nacional da Cultura. A conta só não foi cobrada ainda porque houve apresentação de um recurso.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

“Beagá Psiu Poético” leva poesia, literatura, música, cinema e teatro a Belo Horizonte

A programação conta com poetas, videomakers, bailarinos, performances, professores, estudantes e músicos. A ocupação poética será realizada pelo Grupo de Literatura & Teatro Transa Poética em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) e a Secretaria de Cultura de Montes Claros. Também fazem parte da iniciativa escritores, musicistas e agentes culturais da Belo Horizonte. Pulverizado em diversos locais de BH, O “Beagá Psiu Poético” terá programação em escolas, metrô, terminal rodoviário, viaduto Santa Tereza, Praça da Liberdade, Centro de Referência da Juventude, UFMG e Bar Montes Claros, localizado no Edifício Maletta. “Neste momento duro e difícil que vivemos no Brasil, temos que reforçar a voz poética e a força da poesia para contrapor toda essa situação. A poesia é essencial para momentos de crise”, avalia o curador do “Beága Psiu Poético”, Aroldo Pereira. O “Beagá Psiu Poético” terá início no antigo Dia Nacional da Poesia, celebrado desde 1977, em caráter não oficial, em 14 de março para homenagear Castro Alves, que nasceu na mesma data em 1847. O poeta, que foi uma importante voz da causa abolicionista, publicou seu primeiro poema sobre o tema, “A Canção do Africano”, em 1863, no caderno acadêmico “A Primavera”. A partir de 2015, o Dia Nacional da Poesia foi oficializado por meio de Lei nº 13.131 e passou a ser comemorado no dia 31 de outubro, celebrando o nascimento do poeta Carlos Drummond de Andrade.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

domingo, 19 de janeiro de 2020

Humor

Revista Bula

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O Brasil no Oscar 2020

O documentário “Democracia em Vertigem”, da diretora brasileira Petra Costa, foi escolhido nesta segunda-feira (13) para disputar uma estatueta na 92ª edição do Oscar de 2020. Além deste, outros quatro vão concorrer junto com o filme de Petra. A cerimônia acontecerá em 9 de fevereiro, em Los Angeles. A trama narra os bastidores do golpe que levou a ex-presidenta Dilma Rousseff ao impeachment, a prisão de Lula e a ascensão de Sergio Moro e Jair Bolsonaro. Lançado mundialmente em 19 de junho de 2019, o documentário emocionou diversos espectadores e gerou a ira de bolsonaristas, que atacaram a Netflix, onde o filme está hospedado. O filme de Petra Costa, que também dirigiu “Elena” (2012) e “Olmo e a Gaivota” (2014), premiados respectivamente nos festivais de Brasília e do Rio, já entrou na lista do New York Times sobre os melhores do gênero em 2019. Esta é a primeira indicação de Petra ao Oscar. Além de “Democracia em Vertigem”, também vão disputar os documentários “American Factory” (Steven Bognar), “The Cave” (Feras Fayyad), “For Sama” (Waad) e “Honeyland” (Ljubo Stefanov). Fonte: Forum